REVIEW · 2020-06-18
Outer Wilds
Um sistema solar de 22 minutos
Primeiras impressões
Um céu noturno verde para além de uma fogueira. Um amigo Hearthiano assa marshmallows. Visto o traje espacial e subo na minha nave.
Vinte e dois minutos depois, o sol vira uma supernova. A nave se despedaça. Estou de volta à fogueira, com os marshmallows ainda assando.
Os primeiros três ou quatro ciclos são desnorteantes. Esse desnorteamento é o combustível para tudo o que vem depois. Olhando em retrospecto, o leve desvio para o vermelho do sol já no primeiro ciclo é uma pista.
Colocando as mecânicas em palavras
Visite qualquer planeta dentro de 22 minutos, aprenda algo, morra. O ciclo seguinte preserva apenas o conhecimento que você carregou. A barreira é a informação, nada além disso.
O arquivo de salvamento não tem registro das suas ações. E ainda assim, dentro da minha cabeça, a descida pelo poço polar de Brittle Hollow e as armadilhas de Dark Bramble estão inconfundivelmente lá.
Os controles da nave puxam para a física: inércia, matemática orbital, orçamento de oxigênio. Mesmo assim, são ajustados de forma gentil o bastante para que vinte minutos sejam suficientes para voar a qualquer lugar.
O que o torna excelente
A estrutura de 'jogo baseado em conhecimento' é rara. O mundo só se expande de acordo com o que você compreende. O progresso acontece na cabeça do jogador, não no layout das fases. Pouquíssimos jogos se atrevem a isso.
Todos os planetas mudam simultaneamente dentro do mesmo ciclo de 22 minutos. A areia de Ash Twin escoa a cada minuto, a crosta de Brittle Hollow continua desmoronando, as tempestades de Giant's Deep respiram. O sistema inteiro é um único organismo.
Quando você chega ao fim, a música de encerramento vai ficar com você. Já escrevi 'não assista a um passo a passo' uma vez. Vou escrever de novo. Não assista a um passo a passo.
Ofício de design
Cada planeta tem sua própria física, que serve também de quebra-cabeça. A areia de Ash Twin. A crosta em colapso de Brittle Hollow. O tempo se torna a variável que move cada espaço.
O diário de bordo é o herói oculto. Você nunca precisa fazer anotações à mão — toda a informação é capturada dentro do jogo. Mas as etiquetas de 'não resolvido' e 'há mais a descobrir' mantêm o jogador em movimento sem entregar as coisas mastigadas.
Se eu tivesse projetado isto, duvido que teria tido a coragem de limitar o ciclo a 22 minutos. Trinta ou quarenta e cinco teriam tornado a exploração mais gentil. É a brevidade que faz a repetição parecer banal em vez de punitiva.
A textura da dificuldade
A dificuldade se concentra no 'o que devo investigar a seguir'. Empacado em um planeta, vá para outro. O limite de 22 minutos também limita o pensamento. A mansão sorteada de Blue Prince segue a mesma bússola.
A maioria dos jogadores que empacam empaca na etapa do 'para onde eu vou'. Releia o diário de bordo, procure as etiquetas de 'não resolvido', risque os lugares que você ainda não visitou. Assistir a um passo a passo mata o jogo; resista.
Encerramento
Não consegui me afastar do controle quando a canção final tocou. Esta não era uma história sobre o espaço. Era uma história sobre como uma civilização chega ao fim. Depois de Return of the Obra Dinn, é o próximo jogo de mistério que eu recomendaria a qualquer um.
A anotação que guardo para mim: 'o peso de um evento único precisa ser conquistado'. O desfecho de Outer Wilds pode acontecer uma vez na vida. Tudo no jogo existe para tornar esse momento possível.
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